Disseste-me hoje que 'não há nada melhor que estar apaixonado'. Se soubesses que não te quero como tu te dás talvez não pensasses da mesma forma. Caso não tivesse vivido o que já vivi, possivelmente ao dizê-lo estarias a parafrasear-me, mas não estás. Descobri que estar apaixonado é mais a luta de adaptação do que eu penso que seria ao que realmente é (sejam as minhas expectativas as melhores possíveis e a desilusão a realidade, ou vice-versa). E isso não é, de todo, a melhor coisa da vida.
As melhores coisas são aquelas que são sempre certas: o regaço confortante dos pais (mesmo após a irritante frase do 'eu avisei-te'); o chegar a casa depois dum dia de praia estafante, tomar um banho quente, vestir o pijama e dormir numa caminha feita de lavado; o chocolate quente do Café com Arte; o quentinho da lareira numa noite de Dezembro, com o cheiro da chanfana na mesa e as conversas repetidas da minha avó e até o descer sozinha à praça, pedir um café torrado no Tropical mas saber que vão lá estar aqueles que, por mais apressados e entediados que estejam, têm sempre uma palavra amiga a dizer.
Poderia incluir nesta lista o sentimento de te amar. É bom, é mágico, provoca as tais borboletas no estomâgo e as ansiedades próprias do estado. Mas o acto de te amar, esse é tudo, menos verdadeiro. Para que esse acto fosse verdadeiro teriamos de partir do pressuposto que tu te darias como és e que eu te amaria como te dás. E isso é mentira. Quando conhecemos alguém, amamos pelo que idealizamos, gostamos do que já conhecemos e amamos pela parte que falta descobrir. O mistério que envolve a descoberta alimenta a paixão e faz-nos gostar cada vez mais da pessoa que temos ao lado. Tudo o que vamos descobrindo vai de alguma forma agradando-nos e acreditamos piamente que o melhor ainda está por descobrir. E amamos. Com o tempo descobrimos que essa pessoa idealizada se resume a tudo que descobrimos nos primeiros tempos da relação e aí, com o dedo crítico, apontamos defeitos e os mesmos desencantam-nos. E há ainda o outro lado da questão, quando alguém se dá a conhecer nunca é um produto original, é apenas uma adaptação. A essência está lá, é claro, mas a pessoa altera-se, transforma-se num ser metamorfoseado que tenta agradar.
Tudo isto para te dizer que gostava de te conhecer e amar-te sem ser pela descoberta, amar-te só porque tu és tu e eu sou eu. Amar-te numa esfera em que não existem relações que nos moldam. Não quero que sejas quem eu sou, não quero ser quem tu és. Não te quero ouvir dizer as minhas frases, não quero gostar da música que tu ouves.
Matemáticamente falando tudo o que quero de nós é que a intersecção de soluções do que somos dê o conjunto vazio, mas que a reunião seja R/0 (não havendo dúvidas de quem ocupa o lugar de -infinito a zero aberto)
30/11/08
20/11/08
Chega de freak!!
O alcool hoje fez-me acreditar que era véspera de Ano Novo.
Ora vejam lá:
Chega de beber cafés queimados no Tropical quando o Académico está mesmo ali ao lado! Chega de parvoíce! Por vezes a solução dos nossos problemas está a menos de 100 metros e por preguiça e habituação somos incapazes de mudar!
Chega de noite sim noite não 'dar um giro à Praça'. Cria-se uma relação de amor-ódio com os espaços. Se lá formos, apanhamos seca porque vemos sempre as mesmas caras, estamos sempre com as mesmas pessoas... Mas se por algum (feliz) acaso formos tomar café ao Quebra ficamos mortinhos por saber quem esteve no Tropical (Nem contigo nem sem ti).
Chega de acreditar que sou uma pessoa apática e sem sentimentos. A verdade é que, apesar de nada me aquecer nem me arrefecer, as boas noites que tenho tido ultimamente foram simplesmente memoráveis. Acho que quanto mais me conveço de uma coisa mais ela se torna verdade, portanto apartir de agora, neste instante já já, vou acreditar que ando com as sensações a mil e que me apaixono por tudo com a mesma garra 'do antigamente'.
Chega de não dar a mínima hipótese às pessoas. Tenho o péssimo hábito de tirar a pinta às pessoas, coisa que por vezes, por muito que custe ao meu 'infalível sexto sentido' acreditar, me traz muitos enganos! Quinze minutinhos de conversa experimental nunca fizeram mal a ninguém e se por força inolvidavel das circunstancias me estiverem a espetar uma seca de morte, há sempre uma qualquer 'aula às quatro' que infelizmente terá de interromper a conversa!
Chega de idealizações do amor, se me sinto envolvida e apaixonada, sinto e pronto, acabou-se! (Tau, já está, já foste, ardeste!) Das coisas que mais odeio é a incrível capacidade que tenho de pormenorizar e planear tudo o que pretendo para mim, incluindo o amor. 'Ai és fantástico? Tens uma conversa incrível e uns olhos azuis lindos de morrer? Ai gostas da mesma música que eu? E já correste meio Mundo e fazes-me rir que nem uma perdida com as tuas estórias inacreditáveis? Mas sabes... rois as unhas... E eu não gosto de pessoas que roem as unhas, desculpa!' (CA BURRA)
Finalmente, chega desta vida ordinária de tardes em cafés e copos à noite, o semestre começa a estreitar, os trabalhos estão com o prazo de entrega à porta e se não me ponho a pau mais um ano no último! E todos concordaremos que já chega de freak!!
Ora vejam lá:
Chega de beber cafés queimados no Tropical quando o Académico está mesmo ali ao lado! Chega de parvoíce! Por vezes a solução dos nossos problemas está a menos de 100 metros e por preguiça e habituação somos incapazes de mudar!
Chega de noite sim noite não 'dar um giro à Praça'. Cria-se uma relação de amor-ódio com os espaços. Se lá formos, apanhamos seca porque vemos sempre as mesmas caras, estamos sempre com as mesmas pessoas... Mas se por algum (feliz) acaso formos tomar café ao Quebra ficamos mortinhos por saber quem esteve no Tropical (Nem contigo nem sem ti).
Chega de acreditar que sou uma pessoa apática e sem sentimentos. A verdade é que, apesar de nada me aquecer nem me arrefecer, as boas noites que tenho tido ultimamente foram simplesmente memoráveis. Acho que quanto mais me conveço de uma coisa mais ela se torna verdade, portanto apartir de agora, neste instante já já, vou acreditar que ando com as sensações a mil e que me apaixono por tudo com a mesma garra 'do antigamente'.
Chega de não dar a mínima hipótese às pessoas. Tenho o péssimo hábito de tirar a pinta às pessoas, coisa que por vezes, por muito que custe ao meu 'infalível sexto sentido' acreditar, me traz muitos enganos! Quinze minutinhos de conversa experimental nunca fizeram mal a ninguém e se por força inolvidavel das circunstancias me estiverem a espetar uma seca de morte, há sempre uma qualquer 'aula às quatro' que infelizmente terá de interromper a conversa!
Chega de idealizações do amor, se me sinto envolvida e apaixonada, sinto e pronto, acabou-se! (Tau, já está, já foste, ardeste!) Das coisas que mais odeio é a incrível capacidade que tenho de pormenorizar e planear tudo o que pretendo para mim, incluindo o amor. 'Ai és fantástico? Tens uma conversa incrível e uns olhos azuis lindos de morrer? Ai gostas da mesma música que eu? E já correste meio Mundo e fazes-me rir que nem uma perdida com as tuas estórias inacreditáveis? Mas sabes... rois as unhas... E eu não gosto de pessoas que roem as unhas, desculpa!' (CA BURRA)
Finalmente, chega desta vida ordinária de tardes em cafés e copos à noite, o semestre começa a estreitar, os trabalhos estão com o prazo de entrega à porta e se não me ponho a pau mais um ano no último! E todos concordaremos que já chega de freak!!
16/11/08
Já lá diz o ditado
A sanidade é relativa, como aliás tudo na vida.
Os actos irreflecidos tomam conta da maioria dos mortais como pedra basilar das suas vidas. Actos esses que, já lá diz o ditado, se perdoam mas não se esquecem.
Tal como homicída que nunca equacionou que pudesse concretizar o crime que o acusam, também eu me deixo levar pela insanidade e pelos sentimentos à flor da pele. Sempre tão ponderada, sempre tão senhora da razão e agora num segundo tudo cai por terra e fico sem conhecer a pessoa que olho no espelho. As minhas mãos sujas de vingança e terror tocam enojadas os fios dos cabelos que se colam nas lágrimas que rolam na face.
Não quero ser a pessoa que tem acordado todos os dias na minha cama. Quero voltar a poder ter o péssimo hábito de julgar os outros com a racionalidade de quem não acha ter telhados de vidro. Há-de raiar a calma de outrora e a fluidez de discurso irritantemente racional que sempre me acompanhou.
E tu hás-de me desculpar.
Já eu,ao contrário do ditado, esqueço sempre, mas nunca perdoo. (a mim)
Os actos irreflecidos tomam conta da maioria dos mortais como pedra basilar das suas vidas. Actos esses que, já lá diz o ditado, se perdoam mas não se esquecem.
Tal como homicída que nunca equacionou que pudesse concretizar o crime que o acusam, também eu me deixo levar pela insanidade e pelos sentimentos à flor da pele. Sempre tão ponderada, sempre tão senhora da razão e agora num segundo tudo cai por terra e fico sem conhecer a pessoa que olho no espelho. As minhas mãos sujas de vingança e terror tocam enojadas os fios dos cabelos que se colam nas lágrimas que rolam na face.
Não quero ser a pessoa que tem acordado todos os dias na minha cama. Quero voltar a poder ter o péssimo hábito de julgar os outros com a racionalidade de quem não acha ter telhados de vidro. Há-de raiar a calma de outrora e a fluidez de discurso irritantemente racional que sempre me acompanhou.
E tu hás-de me desculpar.
Já eu,ao contrário do ditado, esqueço sempre, mas nunca perdoo. (a mim)
12/11/08
Ontem
Sim, foste capaz.
Espero que tenhas gostado de me voltar a ver com os olhos a brilhar e com o corpo a tremer ao teu toque. Espero que te tenhas deliciado a cada riso meu e a cada parvoice dita 'como no antigamente'.
Também eu fui capaz. O Ego. Esse destravado egoísta levou-nos a pisar o chão que já há muito nos fugiu. E cresceu. Explodiu. Também eu queria saber que era capaz. E agora que sei, é muito mais fácil dizer adeus.
Com tudo isto pouco se ganha e muito se perde. O espaço que já havia aumenta, a força que já tinha sido criada redobra-se. Mais magestosa que antes, sigo a minha tão perfeita vida criada sem ti. O sentimento... esse guardo comigo no baú das memórias que agora sim se pode fechar.
Espero que tenhas gostado de me voltar a ver com os olhos a brilhar e com o corpo a tremer ao teu toque. Espero que te tenhas deliciado a cada riso meu e a cada parvoice dita 'como no antigamente'.
Também eu fui capaz. O Ego. Esse destravado egoísta levou-nos a pisar o chão que já há muito nos fugiu. E cresceu. Explodiu. Também eu queria saber que era capaz. E agora que sei, é muito mais fácil dizer adeus.
Com tudo isto pouco se ganha e muito se perde. O espaço que já havia aumenta, a força que já tinha sido criada redobra-se. Mais magestosa que antes, sigo a minha tão perfeita vida criada sem ti. O sentimento... esse guardo comigo no baú das memórias que agora sim se pode fechar.
10/11/08
Problema de Expressão
Estranho é quando a coisa mais romântica que gostamos de ouvir é aquele sotaque nortenho de riso malandro a pronunciar a profunda e apaixonante frase 'Sabes, fodia-te já aqui'
04/11/08
Paixão
As coisas que mais ambicionamos, idealizamo-nos como perfeitas. Fazem-nos dar voltas na cama, sonhamos horas a fio como será quando as conquistarmos. Fazem-nos perder o controlo de nós próprios e viver em função dessa conquista.
E o pior está quando elas depois de concretizadas são melhores do que algum dia pudemos sonhar...
E o pior está quando elas depois de concretizadas são melhores do que algum dia pudemos sonhar...
02/11/08
Ele e Eu (e as pseudo-intelectualices irritantes)
Ele- Sabes, não sei se concordarás comigo, mas a Festa das Latas teve um travo especial! Gostei especialmente da edição deste ano, apesar do frio que se fez sentir, das imensas e intermináveis filas de espera e do turbilhão de pessoas que circulavam no interior do recinto sinto que este ano foi diferente, nada do que tinha sido nas edições anteriores, pelo menos as que presenciei.
Eu - Foi diferente? Então quê, este ano houve cerveja?
Eu - Foi diferente? Então quê, este ano houve cerveja?
30/10/08
Vens?
És como o snif de coca sorrateiro mandado às escuras na casa de banho imunda dum desses bares da cidade. Nem o bater na porta acalma a tesão que sinto enquanto me puxas para ti,bruto e sôfrego,me rasgas a roupa e me cravas os dedos nas coxas levando assim toda a resistência que pudesse oferecer. Sentir o calor que emanas, os olhos a desvanecer,as mãos grandes que se perdem em mim. E acordar na certeza duvidante de quando te volto a ver!
28/10/08
,
"
"Sabes bem...!" - foi tudo o que ela lhe disse enquanto ele roçava a boca no seu pescoço, equilibrado num copo de cerveja meio cheio, dizendo-lhe o quão bonita estava no vestido creme de cetim e como lhe apetecia beijá-la.
Ele, ouvindo o prenúncio da sua sorte, puxou-a pela cintura e num repente fê-la sua envolvendo-a num beijo louco de carícias desesperadas.
Ela, sentindo-o perto afasta-o num gesto brusco de surpresa, não evitando o beijo de paixão que sem querer acabou por partilhar com ele.
Eram amigos. Ele sabia que ela ainda amava outro e que ainda acreditava nesse amor. Ela já tinha chorado tantas vezes no seu ombro, despejando as palavras monocórdicas que repetia vezes sem conta.
Mas ele amava-a e simplesmente não queria saber. Afinal, era só um beijo...
Nestes anos que passaram continuaram amigos, continuaram confidentes, e ele continuou a supreende-la com beijo loucos ao sabor da paixão (uns mais inesperados que outros), ela começou a surpreende-lo com visitas de saudades, noites quentes, escaldantes em Novembro ( 'loucas são as noites, que passo sem dormir') e mãos entrelaçadas no fim desta cidade!
Ainda hoje quando celebram os anos que já passaram juntos ela lhe mente, dizendo que já o queria para ela desde aquele primeiro dia. E ele nunca saberá que como em quase tudo nesta vida entre o sabes e o bem, estava uma pequena vírgula que teria na certa mudado todo o rumo desta história!"
A essa vírgula insignifante que deixamos por escrever e que teria na certa mudado o rumo da nossa história.
"Sabes bem...!" - foi tudo o que ela lhe disse enquanto ele roçava a boca no seu pescoço, equilibrado num copo de cerveja meio cheio, dizendo-lhe o quão bonita estava no vestido creme de cetim e como lhe apetecia beijá-la.
Ele, ouvindo o prenúncio da sua sorte, puxou-a pela cintura e num repente fê-la sua envolvendo-a num beijo louco de carícias desesperadas.
Ela, sentindo-o perto afasta-o num gesto brusco de surpresa, não evitando o beijo de paixão que sem querer acabou por partilhar com ele.
Eram amigos. Ele sabia que ela ainda amava outro e que ainda acreditava nesse amor. Ela já tinha chorado tantas vezes no seu ombro, despejando as palavras monocórdicas que repetia vezes sem conta.
Mas ele amava-a e simplesmente não queria saber. Afinal, era só um beijo...
Nestes anos que passaram continuaram amigos, continuaram confidentes, e ele continuou a supreende-la com beijo loucos ao sabor da paixão (uns mais inesperados que outros), ela começou a surpreende-lo com visitas de saudades, noites quentes, escaldantes em Novembro ( 'loucas são as noites, que passo sem dormir') e mãos entrelaçadas no fim desta cidade!
Ainda hoje quando celebram os anos que já passaram juntos ela lhe mente, dizendo que já o queria para ela desde aquele primeiro dia. E ele nunca saberá que como em quase tudo nesta vida entre o sabes e o bem, estava uma pequena vírgula que teria na certa mudado todo o rumo desta história!"
A essa vírgula insignifante que deixamos por escrever e que teria na certa mudado o rumo da nossa história.
26/10/08
25/10/08
Hoje
Eu só queria dançar contigo
Sem corpo visível
Dançar como amigo
Se fosse possível
Dois pares de sapatos
Levantando o pó
Dançar como amigo só!
Aos amores!
(desordeiros, irresistíveis, deleituosos, entranhantes, verdadeiros, evitáveis, buliçosos, como dantes, bicolores, transgressores, impostores, cantadores)
Quanto mais o tempo passa, mais longe eu estou de alguma conclusão!
Sem corpo visível
Dançar como amigo
Se fosse possível
Dois pares de sapatos
Levantando o pó
Dançar como amigo só!
Aos amores!
(desordeiros, irresistíveis, deleituosos, entranhantes, verdadeiros, evitáveis, buliçosos, como dantes, bicolores, transgressores, impostores, cantadores)
Quanto mais o tempo passa, mais longe eu estou de alguma conclusão!
24/10/08
A mania das perguntas
Anestesia?
Será que ainda não doeu porque todo o veneno que espalhámos simplesmente nos anestesia?
E quando passar?
Será que ainda não doeu porque todo o veneno que espalhámos simplesmente nos anestesia?
E quando passar?
Esse dia
Quero desesperadamente que encontres alguém.
Quero desesperadamente encontrar alguém.
Penso que só nesse dia, quando dermos o primeiro beijo que não foi perfeito, quando tivermos a primeira conversa e sentirmos que é vazia, quando olharmos para os olhos desse alguém e não virmos mundo pela frente a sorrir é que saberemos o quanto nos amámos e o quão felizes podíamos ter sido. Só nesse dia saberemos quantas saudades estão apagadas pela mágoa imensa, quantas conversas perdemos hipótese de ter (tenho tanto para te contar), e quantos beijos perfeitos temos vontade de dar! Aí ansiaremos que aquele ser que ali dormita desapareça, para nos podermos voltar simplesmente a abraçar e sentir num segundo de beijo dos os dias que nos esquecemos de nos amar.
Quero desesperadamente encontrar alguém.
Penso que só nesse dia, quando dermos o primeiro beijo que não foi perfeito, quando tivermos a primeira conversa e sentirmos que é vazia, quando olharmos para os olhos desse alguém e não virmos mundo pela frente a sorrir é que saberemos o quanto nos amámos e o quão felizes podíamos ter sido. Só nesse dia saberemos quantas saudades estão apagadas pela mágoa imensa, quantas conversas perdemos hipótese de ter (tenho tanto para te contar), e quantos beijos perfeitos temos vontade de dar! Aí ansiaremos que aquele ser que ali dormita desapareça, para nos podermos voltar simplesmente a abraçar e sentir num segundo de beijo dos os dias que nos esquecemos de nos amar.
Enforca Cães
A estrada.
Sinuosa, estreita e sufocante.
E é pelo mar que ali estou.
Enquanto percorro os zigzags e tento dominar as tuas manhas, o medo toma-me, o meu estomago aperta-se, contrai-se de angústia. Talvez me engane por mero capricho, talvez goste apenas de sentir a adrenalina, de sofrer um bocadinho sem razão (poderei eu ser mimada a tal ponto?). O que é certo é que já por aqui passei outras vezes, senti o medo, a angústia, a certeza que não ía aguentar dar nem mais um passo. E quando finalmente vislumbro a cidade que começa a acordar e olho para trás e vejo que 'já passou' penso que 'não foi assim tão difícil' e que da próxima vez não hesitarei!
Hoje do topo da montanha volto a olhar o mar e choro. Sinto saudades do gosto salgado, do frio na pele, do arrepio que provocavas ao primeiro toque. Choro o último abraço que ficou lá no fim do Verão.
A estrada fita-me com raiva à espera que eu decida, ouço os gritos desconcertantes do mar mas não percebo o que ele diz.
Talvez me diga que tenho que passar por ali e que vai estar lá, do meu lado a guiar-me, pelos dias felizes que passamos na praia.
Ou então já me esqueceu, talvez já não se lembre das gargalhadas felizes, dos beijos salgados e dos corpos enrolados numa onda e me chame com o seu grito fingido de dor para que eu passe a estrada, e sem dar conta ele me engula triunfante enquanto espera sorrateiro um outro amor. (és tu mar?)
Ou talvez simplesmente me diga que aquele não é o caminho, que apesar de já ter chegado ali que tenho de voltar para trás, que se dou um passo as terras que partimos anteriormente se movem e me engolem para sempre.
Há realmente outro caminho.
No meio da floresta, onde não se ouve nem se sente a brisa do mar passa uma estrada. Estrada plana, de betão duro e frio, sem percalços, sem agitações. É o caminho mais sensato, o que oferece menos perigos, o que acarreta menos riscos. Mas também aquel que mais me afasta de ti.
Porque me mandas ir por lá mar? Terei mesmo que ir sozinha por caminho tão longo como este? Terei mesmo de voltar atrás e reconstruir todo um caminho já percorrido? Mandas-me fazê-lo porque? E se eu me perco mar? Se nunca mais te encontro?
E se tu, velho esquecido que és, quando eu chegar ... já não te lembrares quem sou?
Sinuosa, estreita e sufocante.
E é pelo mar que ali estou.
Enquanto percorro os zigzags e tento dominar as tuas manhas, o medo toma-me, o meu estomago aperta-se, contrai-se de angústia. Talvez me engane por mero capricho, talvez goste apenas de sentir a adrenalina, de sofrer um bocadinho sem razão (poderei eu ser mimada a tal ponto?). O que é certo é que já por aqui passei outras vezes, senti o medo, a angústia, a certeza que não ía aguentar dar nem mais um passo. E quando finalmente vislumbro a cidade que começa a acordar e olho para trás e vejo que 'já passou' penso que 'não foi assim tão difícil' e que da próxima vez não hesitarei!
Hoje do topo da montanha volto a olhar o mar e choro. Sinto saudades do gosto salgado, do frio na pele, do arrepio que provocavas ao primeiro toque. Choro o último abraço que ficou lá no fim do Verão.
A estrada fita-me com raiva à espera que eu decida, ouço os gritos desconcertantes do mar mas não percebo o que ele diz.
Talvez me diga que tenho que passar por ali e que vai estar lá, do meu lado a guiar-me, pelos dias felizes que passamos na praia.
Ou então já me esqueceu, talvez já não se lembre das gargalhadas felizes, dos beijos salgados e dos corpos enrolados numa onda e me chame com o seu grito fingido de dor para que eu passe a estrada, e sem dar conta ele me engula triunfante enquanto espera sorrateiro um outro amor. (és tu mar?)
Ou talvez simplesmente me diga que aquele não é o caminho, que apesar de já ter chegado ali que tenho de voltar para trás, que se dou um passo as terras que partimos anteriormente se movem e me engolem para sempre.
Há realmente outro caminho.
No meio da floresta, onde não se ouve nem se sente a brisa do mar passa uma estrada. Estrada plana, de betão duro e frio, sem percalços, sem agitações. É o caminho mais sensato, o que oferece menos perigos, o que acarreta menos riscos. Mas também aquel que mais me afasta de ti.
Porque me mandas ir por lá mar? Terei mesmo que ir sozinha por caminho tão longo como este? Terei mesmo de voltar atrás e reconstruir todo um caminho já percorrido? Mandas-me fazê-lo porque? E se eu me perco mar? Se nunca mais te encontro?
E se tu, velho esquecido que és, quando eu chegar ... já não te lembrares quem sou?
Subscrever:
Mensagens (Atom)
